We, forever, please.
Chega uma hora em que as palavras parecem não ser mais suficientes. Não sozinhas, não mal-cumpridas, não da boca pra fora. Chega aquela hora que não se quer esperar. Chega uma hora na vida da gente em que não queremos escutar um “não desiste, tu consegue”. A gente quer ouvir mesmo é um “eu vou contigo, não para, a gente pode fazer junto”.

Zé, por que a vida da gente precisa ser tão complicada?”
“Mas ela não é.”
“Claro que é, zé, mais complicada do que montar cubos mágicos.”
“Com isso eu concordo, aquilo é quase impossível. Mas só é quase impossível pra quem encara ele como encara a vida. Como você tá fazendo agora.”
“Não entendi, Zé.”
“É muito simples: a vida não é complicada, quem a complica somos nós.”
“Já ouvi isso, mas não consigo chegar ao porquê de sermos nós os complicadores.”
“Vou te ajudar. Pensa comigo: qual a primeira coisa que você faz pra resolver o cubo mágico?”
“Tento acertar um dos lados.”
“E por que você faz isso?”
“Porque é impossível acertar todos de uma só vez.”
“Muito bem. Já entendeu. Se é impossível num cubo mágico, por que diabos nós temos a mania de querer que tudo na vida da gente se resolva de uma vez só?”
“Bem, olhando por esse lado…”
“É o único lado que existe, princesa. Se pararmos de querer que tudo seja perfeito, ao mesmo tempo e o tempo todo, talvez a vida não passe de um grande e misterioso cubo mágico.”
“Mas eles são complicados, Zé.”
“Sim, mas não são impossíveis de resolver. — Zé, será que essa coisa de cubo mágico funciona quando uma dos lados se desmonta? (Patrini Viero)

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